agua

O recurso mais importante do planeta está se esgotando. O Brasil detém 15% de toda água potável disponí-vel. Isso nos dá o conforto de saber que não morreremos de sede, mas nos alerta que a escassez mundial pode nos conduzir à uma guerra.

Rodrigo Matias

Terra, planeta água. Nenhuma afirmação é tão correta quanto esta, ao considerarmos que 75% da superfície terrestre é coberta pelo precioso líquido incolor, inodoro e insípido. Deste total, apenas 3% é doce, e esta pequena parte concentra-se nas calotas polares e geleiras, e além disso, em rios, lençóis freáticos, bacias hidrográficas e atmosfera. O restante, que não consumimos, se encontra nos mares e oceanos.

Na terra, quase tudo é mantido através desse elemento vital: pessoas, casas, escolas, cidades. Nosso próprio organismo é mais de 70% água, sendo impossível permanecer sem ela por muitos dias. Água, como diz o popular, é vida. No Brasil, estamos seguros com uma das maiores reservas hídricas do mundo, que concentra 15% de toda água potável disponível.

Apenas 0,007% da água doce é própria para consumo humano, como afirma o doutor Luiz Gabriel Azevedo, coordenador do Setor de Desenvolvimento Ambientalmente e Socialmente Sustentável do Banco Mundial no Brasil. Esse é um dado alarmante e nos relembra que este recurso vital pode ser extinto em poucos anos. Já imaginou o mundo sem água? Certamente viveríamos um colapso. Não precisa ir longe para ver os sinais desta profecia. Hoje, 11 países da África e 9 no Oriente Médio já sobrevivem quase sem esse recurso, segundo Revista Por Você, publicação da Divisão Consumer Care Bayer.

Disputa – Há uma discussão entre alguns países, sobre o futuro da água. Uma coisa é certa: todos irão precisar dela. Muito já se observou dos conflitos civis por petróleo, territórios, direitos, entretanto estamos a postos para uma luta pelas minas e reservatórios de água. O embate entre Israel e Palestina, por exemplo, não é apenas religioso, mas também por terra e água. E em alguns lugares do planeta, a água chega valer mais do que petróleo. Parafraseando o ditado: em terra de petróleo, quem tem água é rei.

A maior concentração da água potável do mundo está no Brasil, e 70% desta água está na Amazônia. Alguns países se interessam pela fiscalização nesta área. Até mesmo acordos foram propostos para a segurança global da Amazônia. Recentemente, Brasil e Reino Unido tocaram uma parceria para analisar os impactos locais que o aquecimento global poderá trazer para a floresta amazônica. O objetivo é unir o conhecimento do Hadley Centre, escritório de meteorologia do Reino Unido com o poder computacional do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) de forma a produzir novas simulações globais da mudança climática.

Os objetivos do Reino Unido neste acordo, no entanto, permanecem desconhecidos. Nossa soberania sobre a Amazônia parece-me escapar entre nossos dedos. Todavia, não é isso que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acredita. Em abril deste ano, em discurso provisório, disse que “a Amazônia é nossa”. Ele afirmou que muitos países querem “meter o dedo” na nossa reserva. Apesar do clima de tensão e desconforto, o presidente defende fechar-se para políticas internacionais de proteção. “Um dia seremos pressionados a repartir nossa reserva, e responderemos a altura”, alerta o presidente.

O brasileiro por sua vez, não sabe que dominar a Amazônia, significa dominar quase toda água potável do Brasil. Não há participação da sociedade na defesa de nossa floresta, bem como nossa água. E como se não bastasse, além de não proteger, o povo ainda usa de forma irresponsável nosso recurso.

Medidas estão sendo tomadas para evitar a poluição e o desperdício. No Japão, usa-se água reutilizada para as limpezas e descargas. E esta preocupação é antiga. A ONU redigiu um documento em 22 de março de 1992 – intitulado “Declaração Universal dos Direitos da Água” onde orienta, de forma enfática, como cuidar e ser responsável no trato e utilização da água.

Uma medida tomada na Índia, o de dessalinizar a água do mar, é útil para um futuro não tão distante. Neste processo, a água é recolhida e tratada até ser possível sua ingestão, no entanto seu custo é muito alto. Na realidade, esta prevenção é um prova de que o mundo está em cheque. Parece que esse panorama apocalíptico que só víamos em filmes, está prestes a atingir a todos.

Mesmo que o orgulho brasileiro nos faça encarar com repulsa outros países opinando sobre o que fazermos com nossa água (me refiro à água da Amazônia), o problema de sua má utilização é um fator negativo que não podemos disfarçar. Um dos rios mais poluídos do mundo, o Tietê, se encontra no coração e principal centro comercial do Brasil, a cidade de São Paulo.

Resposta natural – Apesar do sonho de uma mudança no comportamento do nosso povo, os índices mostram que a degradação do ecossistema é grande. E a natureza, sempre mais, responde impiedosamente às agressões. Um exemplo disso é o grande tsunami, que atingiu, em 2004, 11 países envoltos no Oceano Índico, ceifando por volta de 220 mil vidas.

Podemos ainda apontar mais um agravante nesta grande resposta natural: o aquecimento global. Resultado da emissão de dióxico de carbono (substância encontrada em sprays), o derretimento das calotas polares podem destruir civilização inteiras, a começar pelas cidades litorâneas.

O mundo não está preparado para um futuro de conforto, provindos da tecnologia, como se idealiza. O egoísmo e ambição humana chegam ao limite máximo, ao homem destruir sua própria habitação para lucrar. Não há um controle bem definido sobre os recursos hídricos, o que facilita e estimula o desperdício de água e a destruição do ecossistema. Nossos filhos e netos irão viver no período onde a água estará mais cara, mais suja e escassa.